A Igreja está se preparando para a escolha de um novo Papa. Todo mundo sabe que o Conclave é a cerimônia onde acontece essa eleição, mas poucos sabem a origem dela. E por que o nome "Conclave"?
A origem
Em primeiro lugar, devemos lembrar que o Papa é sucessor de Pedro, escolhido por Jesus Cristo para ser o primeiro entre todos os Apóstolos, a quem o Senhor entregou "as chaves do reino dos Céus" (Mt 16, 18-19). Assim, o Papa possui três funções: é chefe de Estado (Vaticano), bispo de Roma e Chefe da Igreja.
Os cardeais são bispos que fazem parte de um colegiado (Prelados do Sacro Colégio Pontifício) que, desde 1274, têm a responsabilidade de eleger o Papa. Isso foi necessário para que não houvesse disputas de poder entre os Reis da Europa medieval e a Igreja, uma vez que os Reis tentavam controlar também o âmbito religioso da época. Não eram raros os casos de reis influenciando a escolha de cardeais e até mesmo de Papas
Essa querela teve diferentes desfechos dependendo da época e da localidade, mas uma coisa era muito comum: reis queriam intervir na escolhas dos bispos e demais cargos religiosos. Interferiam querendo eles mesmos eleger tais cargos, ou queria que seus filhos ou seus subordinados fizessem parte desse colegiado. Sabemos que a cidade de Roma teve alguns papas (bispo de Roma) sendo eleitos dessa forma.
Por que "Conclave"?
A palavra Conclave aparece pela primeira vez em um documento do papa Gregório X (1271-1276), do II Concílio de Lion, Julho de 1274. Tentando diminuir a interferência de pessoas estranhas na escolha do Pontífice, ele ordenou que os cardeais fossem fechados na sala com chave – daí a expressão “Conclave” – e tem sido assim até os dias de hoje.
Como acontece
A votação começa quando todos os cardeais eleitores (com menos de 80 anos) entram na Capela Sistina, no Vaticano. Caso ninguém seja apontado por ao menos dois terços dos membros votantes do colégio cardinalício, nos dias seguintes ocorrem duas votações de manhã e outras duas à tarde. Os cardeais são mantidos em total isolamento do mundo exterior: não podem usar telefone, receber jornais, ver televisão, etc.
É necessário que se tenha 2/3 de aprovação para que esta eleição seja aceita e validada.
Depois de três dias sem resultado, o Conclave é suspenso por uma dia para uma “pausa de oração”. As votações são retomadas no dia seguinte e, se ainda assim o pontífice não for escolhido, será efetuado outro intervalo, seguido por sete tentativas.
E a fumaça branca?
Enquanto a decisão ainda não foi tomada, as cédulas usadas na votação são queimadas numa lareira junto com palha úmida, produzindo uma fumaça preta, que indica que o processo ainda está em andamento. A fumaça branca, produzida coma a queima apenas das cédulas, indica que o novo papa foi escolhido.
O cardeal eleito é oficialmente perguntado se aceita ou não a eleição. Caso a aceite, se quiser, escolhe um novo nome.
Ao dizer SIM, é feita uma pequena procissão até uma das janelas da Basílica de São Pedro, de frente para a Praça. O primeiro a falar é o cardeal mais velho, que anuncia o que todos querem ouvir: Annuntio vobis gaudium magnum: Habemus Papam (Anuncio-vos uma grande alegria: Temos Papa); depois, o novo Sumo Pontífice é revelado e faz a sua primeira bênção: Urbi et Orbi.
Após esse momento, os sinos da Basílica de São Pedro começam a soar como sinal de alegria pela escolha do novo sucessor de São Pedro.
Por que os Papas mudam de nome quando são eleitos?
A tradição de os Papas adotarem um novo nome começou no ano 533, quando um padre chamado Mercúrio foi eleito Papa. Por achar que Mercúrio era um nome pagão para um Papa, adotou o nome de João II. Até então os Papas eram simplesmente chamados por seu nome de batismo. João Paulo I, em 1978, foi o primeiro a utilizar um nome duplo.
